
Quando se olha para trás, parece pouco. Mas, para quem viveu, idealizou e sustentou cada detalhe, foi uma travessia inteira. O tempo passou rápido demais e, ao mesmo tempo, deixou marcas profundas.
Em 2021, eu estava distante dos realities tradicionais do Habbo. Naquele momento, meu foco estava em eventos temáticos e em uma tentativa de retorno ao mundo da moda, por meio do Fashion Race. Ainda assim, existia um incômodo silencioso: a vontade de criar um reality que fosse realmente meu. Eu já era um nome conhecido no meio, mas sentia que nunca havia deixado algo verdadeiramente marcante.
Foi nesse contexto que surgiu a ideia de um reality político.
Naquele período, meu interesse pela história da União Soviética era intenso. A complexidade, os conflitos, as contradições e a força simbólica do comunismo despertaram algo que ia além da curiosidade histórica. Já existiam realities de praticamente tudo dentro do jogo e, ao longo de toda a minha trajetória, sempre busquei ir na contramão das tendências. Criar algo único, diferente. Algo que não fosse óbvio.
A decisão foi tomada.
O Guerra Política começava a nascer.
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| Quarto de usuário do Habbo pós reality |
Foram mais de um ano de idealização. Provas imaginadas, dinâmicas desenhadas, conceitos pensados, estruturas construídas mentalmente antes mesmo de existirem no jogo. Cada detalhe foi escolhido com cuidado, como quem constrói um universo próprio.
O nome veio de forma quase natural. Existia, no Habbo, um jogo chamado Guerra Civil, cuja dinâmica tinha certa proximidade. Além disso, era um nome forte, direto e fácil de memorizar.
O país nunca esteve em dúvida. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas não foi apenas uma escolha temática, foi a única possibilidade. Sua história oferecia tudo o que o projeto precisava: riqueza narrativa, conflitos profundos, uma estética forte e, inevitavelmente, polêmica.
Antes disso, outras ideias passaram pela mesa: realities de moda em formato de MasterChef, realities musicais, entre outros. Nenhum, porém, parecia ter o mesmo potencial. Nenhum parecia tão necessário ou algo que viria a ser histórico e inconfundível.
Mas idealizar é uma coisa. Executar é outra.
Realizar um reality da proporção que eu desejava, sem muito dinheiro, tempo e, principalmente, ajuda, foi um desafio constante. A busca por patrocínio foi intensa e, apenas após muita insistência, consegui uma quantia que permitisse oferecer uma premiação relevante e liberdade criativa nas dinâmicas.
No caminho, surgiram apoios fundamentais. Busquei pessoas que pudessem auxiliar na programação dos jogos. A XJuaun foi a primeira tentativa, mas, naquele momento, não pôde ajudar. Foi ela quem me indicou a IsaTKM. Já existia contato, já conhecia a Isa, adorava ela é acompanhava as criações de provas dela em outros oficiais, ela tinha acabado de cancelar o oficial dela, infelizmente então ela aceitou e a parceria funcionou muito bem. Isa se tornou um pilar essencial do Guerra Política.
Divulgar o reality foi outro obstáculo. Eu já não fazia parte de grupos ativos do ramo, apesar de ter uma boa rede social. As limitações eram claras. A solução veio pelo Twitter, com artes enigmáticas, referências cinematográficas e uma comunicação que despertasse curiosidade. Funcionou. Houve engajamento, interesse e atenção, páginas que nunca falaram de realities comentaram, houve realmente um burburinho grande.
Ainda assim, dentro do próprio meio de realities, o projeto enfrentou um pouco de indiferença. Para muitos, parecia complexo demais. Difícil de entender. Difícil de consumir. Outros propositalmente ou não, não quiseram participar da campanha, afinal, apesar de muito presente no ramo, não vinha da tradição de realities tradicionais. . Mas isso nunca foi um erro de cálculo: o Guerra Política nunca foi pensado para ser comercial e no final, cumpriu sua função, ser um reality conceitual.
O elenco talvez tenha sido o maior desafio.
Não queria nomes repetidos nem participantes que entrassem apenas para ocupar espaço. Convidei pessoas de peso e apostei em perfis fortes. Mas o contexto era desfavorável: volta às aulas, queda no público do jogo e desistências em cima da hora. Fechar o elenco a tempo se tornou um verdadeiro pesadelo.
Alguns não puderam participar. Outros aceitaram e precisaram sair. Poucos recusaram por vontade própria.
E, quando o jogo começou, os conflitos não tardaram a aparecer.
Acusações, embates pessoais, pedidos de punições severas. Foi necessário agir com frieza, estratégia e senso de justiça, tal qual um líder soviético. Em certos momentos, participantes precisaram ser afastados de grupos de comunicação como medida de proteção.
Houve também o inevitável: participantes ocultos. Pessoas jogando em contas alheias. Situações que, embora comuns em realities, marcaram aquela edição. Na final, inclusive, soube-se que um participante colocou outra pessoa para realizar a prova em seu lugar. Ainda assim, não venceu.
Com o tempo, vieram os arrependimentos.
Algumas escolhas de elenco não corresponderam às expectativas. Participantes dos quais se esperava muito acabaram entregando pouco. Em contrapartida, outros surpreenderam positivamente. Em certos casos, substituições feitas a tempo salvaram partes importantes do jogo, a reviravolta falou alto no jogo, tanto que a final aconteceu com a presença de 2 participantes substitutos.
Hoje, com a distância que só o tempo permite, é possível enxergar com mais clareza. Algumas escolhas seriam diferentes. Sem perceber, formou-se uma grande panela que desequilibrou o jogo, especialmente diante das dinâmicas propostas.
Mas o Guerra Política ficou.
Quatro anos depois, permanece como um projeto que ousou ser diferente. Não comercial. Não simples. Não confortável.
E talvez tenha sido exatamente isso que o tornou inesquecível - só lamento por nunca ter conseguido ter feito outra temporada como planejava e deixo aberto, caso alguém tenha interesse em realizar, tenho ideias ótimas.
- Oii gente, tava meio sumido, me aposentei do jogo e havia feito esse documentário no início do ano, e esqueci/desisti de postar por algum motivo, mas antes tarde do que nunca. Inclusive, completei 10 anos de Habbo recentemente com deixo isso aqui como uma boa despedida.




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